Parque Beto Carrero World


O sonho de um “caubói interiorano” que tornou-se realidade. No início dos anos 90 do último século, Penha viu seus domínios se transformarem, ao receber a implantação do Parque Beto Carrero. Um paulista sonhador chegou à cidade junto a um grupo de amigos para iniciar a construção de um Parque Temático. Gente de todo o Brasil vinha para Penha à procura de um emprego neste empreendimento que estava saindo do papel. A cidade começou a expansão turística, com o surgimento de hotéis, pousadas, meios gastronômicos e de hospedagem das mais variadas formas. A cidade vivia da pesca e do turismo de veraneio – no máximo 3 meses por ano, e com a implantação do Parque, vieram as oportunidades de emprego e renda para o povo penhense e da região. Hoje Penha é a “Capital Catarinense do Turismo Temático”, título instituído pelo Estado de SC.

Porém antes de chegarmos a esse “status”, temos a história deste homem que transformou um sonho em realidade, que hoje alavanca o Turismo Brasileiro. Eis aí o prefácio de João Batista Sérgio Murad:

Menino pobre de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, criou-se numa fazenda onde o pai era empregado, e sonhava ser um personagem como o Zorro. Desta época, trouxe forte ligação com o mundo dos rodeios e caubóis. Por se comunicar muito bem, descobriu sua veia publicitária e não demorou para se tornar popular: ainda adolescente, lançou um programa próprio no rádio.

A Carreira (1955 – 2008):  Alexandre Murad, seu pai, tinha o apelido de “Alexandre Carrero”, por conduzir um carro de boi que transportava pessoas e cargas. Em homenagem ao pai, intitulou-se João Carrero. Anos depois, o nome foi modificado e João Batista Sérgio Murad passou a ser Beto Carrero.

Em 1955, após uma tentativa fracassada de ser cantor, em uma rádio de São José do Rio Preto, Beto estreou o “Programa Beto Carrero”, que reunia música sertaneja e humor. No programa, contava causos em dupla com Dino Santana, irmão do humorista Dedé Santana. Em 1958, partiu do rádio para o jornal Folha de São Paulo, onde trabalhou como corretor de anúncios. Ao sair da empresa, o publicitário abriu uma agência em sociedade, porém a mesma se desfez em pouco tempo. Por conta própria, Beto desenvolveu então o jornal “Noticiário da Moda”, passando a ter contato com empresas catarinenses de tecelagem. Posteriormente, o jornal foi comprado pela Editora Abril, sendo este o primeiro grande negócio feito por Beto Carrero.

Nos anos 70, liderou a conta de grandes empresas. Lançou motes históricos, como o do Leite de Aveia Davene e das toalhas Buettner, tendo Tônia Carrero como estrela do merchandising. Nesta década, mesmo dedicando-se à publicidade, Beto sempre encontrava um tempo para trabalhar como agente de alguns artistas. Depois de um certo período, criou o personagem que lhe daria fama – Beto Carrero, um vaqueiro que ama os animais e defende os oprimidos. Sua paixão pela arte falou mais alto, fazendo com que Beto montasse sua trupe e percorresse milhares de municípios com seu circo, apresentando a saga de Beto Carrero, um caubói tipicamente brasileiro. Fez amigos por onde passou – entre eles muitos famosos, como Sílvio Santos, Faustão, Gugu Liberato e Xuxa. Estreou um programa na Rede Record com Renato Aragão e Dedé Santana chamado “Os Insociáveis”, que, mais tarde, passaria para a Rede Globo com o nome de “Os Trapalhões”, tendo Beto Carrero como produtor.

Parque temático Beto Carrero, desde pequeno gostava de parques. Ele dizia, inclusive, que ajudava a descarregar e a montar os parques que apareciam na região onde morava em troca de um ingresso, ou vendia caramelos na porta do parque até que juntasse dinheiro suficiente para comprar uma entrada. Porém, muito tempo depois, já famoso em função e seu show de Cowboy e sua fama de publicitário, Beto Carrero fez uma viagem à Walt Disney World, na companhia de Renato Aragão. Encantado com a beleza dos parques temáticos, Beto acreditava que o Brasil poderia ter algo, no mínimo, igual. O visionário, não queria apenas desenvolver um parque, mas sim um destino turístico, no qual o parque deveria ser a âncora deste destino. Mesmo chamado de louco por amigos e familiares, Beto Carrero estava decidido, e colocaria seu sonho em prática no estado de Santa Catarina.

A cidade escolhida pelo empresário para abrigar seu destino turístico foi Penha, uma antiga colônia de pesca de baleia, na época com apenas oito mil habitantes. Apesar de muitos não concordarem com a escolha, Beto acreditava no potencial da região: o clima da cidade era agradável e a população bastante acolhedora, ideal para trabalhar na prestação de serviços. Além do mais, o município está muito próximo de Blumenau, Joinville, Balneário Camboriú e Itajaí, importantes cidades catarinenses, e se localiza a 8 km do Aeroporto de Navegantes. Beto Carrero começou a comprar terras sem revelar seus objetivos, temendo que a notícia de um futuro parque naquela área inflacionasse os preços da região.

A pequena cidade, não possuía opções de lazer além das praias. Para tornar-se destino turístico, era necessário promover o desenvolvimento de todo o local. O litoral catarinense, além de brasileiros, atraía estrangeiros, como argentinos e uruguaios, mas esse fluxo se resumia a pouco mais de dois meses. Não havia resorts e outras estruturas de lazer – a única opção de diversão, era a praia.

Para promover a região, Beto Carrero fez parceria com a Santur, órgão oficial de turismo do Estado, e com a prefeitura de diversas cidades. Ele ajudou a valorizar a Oktoberfest, divulgou a peregrinação religiosa de Santa Paulina, em Nova Trento, além de promover e apostar no sucesso de Balneário Camboriú. Depois, investiu em marketing. “Primeiro fiz o marketing, depois o parque”, dizia Beto Carrero. E curiosamente, durante muito tempo o marketing foi desproporcional ao parque, que em seu começo só contava com uma roda gigante e o Show do Beto Carrero.

Com passar dos anos, o parque Beto Carrero World cresceu consideravelmente: atualmente é o maior Parque Multitemático da América Latina e recebe cerca de 2 milhões de visitantes por ano.

“A pessoa, Beto Carrero, me deixou lindas lembranças pela sua maneira humilde, simpática, determinado e sempre pronto a ajudar as pessoas, uma de suas marcas registradas. O Parque começou com a visão futurista do Beto.

Chegando na capital paulista foi vender espaços publicitários para rádios. Com o tempo, montou sua agência de propaganda e criou sua famosa logomarca Beto Carrero. O Carrero em homenagem ao seu pai que tinha uma carreta puxada por bois e era carrero. Alguns devem lembrar da logo, escrita com um chicote, com efeitos sonoros e no final a voz de Cid Moreira dizendo: Beto Carrero.

Agradou tanto que o Beto foi procurado por várias empresas querendo comprar os direitos para usar a marca. Uma das empresas foi a Hering que lançou camisetas, calças jeans com a grife Beto Carrero. Como pagamento, a Hering deu uma “fazenda” no interior de Santa Catarina.

Quando o Beto foi visitar a região, com alguns familiares, encontrou só areia. A área estava localizada próxima a praia do lugarejo chamado Penha e só tinha areia. Falaram para o Beto: “poxa, te deram uma fazenda que não produz nada, só tem areia”. Olhando para o horizonte, o Beto disse:

“Vocês estão enganados, aqui, neste lugar, vou construir o maior parque temático da América Latina e vou produzir entretenimento para todo mundo, vou construir o Beto Carrero World.

Jornal A Tribuna de Mato Grosso escrito por Gino Rondon

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